segunda-feira, 26 de maio de 2008

Encontro da Campanha em Curuçá

Encontro fortalece articulação da Campanha em Curuçá

No último dia 24 de maio, Curuçá realizou seu 1º Encontro de Articulação da Campanha pelo Carimbó como Patrimônio Cultural. A vila de Araquaim, uma das comunidades que integram o município, foi o local escolhido para o evento, que reuniu cerca de 200 pessoas, entre grupos de carimbó, autoridades políticas, pesquisadores, músicos em geral e curiosos.

A programação começou ainda no dia 23 à noite, quando os moradores de Araquaim carregaram o mastro de São Benedito pelas ruas da vila até a sede do Araquaim Esporte Clube (AEC), onde o Encontro aconteceu no dia seguinte. Ao som do grupo Os Canarinhos, o mastro foi levado pelo cortejo até o AEC. Depois de erguido, uma roda de carimbó encerrou as atividades de sexta-feira.


A abertura oficial do Encontro foi feita na manhã do sábado pelos seus organizadores, os representantes dos grupos curuçaenses de carimbó: Os Canarinhos (Jeferson Cabral),Pinga Fogo (Mestre Mímico), do Raio de Sol (Mestre Bocage), do Curió Mirim (Manoel Favacho), além da secretária de Cultura e Turismo de Curuçá, Tiziane Matos.

Em seguida, Isaac Loureiro, da Coordenação Geral da Campanha, falou sobre a história do movimento, sobre como começou e o que já foi feito pelo registro.


O Registro

Após o primeiro intervalo do evento, que foi animado pelo grupo Curió Mirim (formado por crianças e adolescentes de Curuçá), aconteceu a palestra “O que é Patrimônio Cultural e como ocorre seu processo de registro”, com representantes do IPHAN e da Diretoria de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural da SECULT.

O palestrante do DPHAC / SECULT falou, dentre outras coisas, sobre o que seria patrimônio imaterial, a partir do conceito de identidade cultural. Ele ainda explicou a natureza dos bens imateriais que, diferente dos materiais, não são tombados, mas sim registrados como patrimônio.

A representante do IPHAN falou sobre o processo de registro, como ele acontecerá, os critérios e sobre a constituição da pesquisa para o inventário necessário para o registro. Ela ainda informou que, mesmo após o carimbó ser declarado patrimônio cultural, o IPHAN deverá fazer um acompanhamento desta forma de expressão paraense para verificar as mudanças pelas quais ele, enquanto bem imaterial, está sujeito devido às dinâmicas culturais.


O mestre do carimbó curuçaense

Isaac Loureiro retomou a discussão sobre a Campanha e apresentou o documento com o pedido de registro, ressaltando o objetivo do movimento e sua importância. Em meio à discussão, a população curuçaense também pôde falar da maior referência do carimbó no município, o popular Nego Uróia.

Segundo registros históricos e relatos de quem conviveu com o filho ilustre de Curuçá, foi Uróia quem levou o carimbó de volta a Belém no final dos anos 60, rompendo décadas de proibição do ritmo na capital do Pará. Apresentando-se com seu conjunto "Bico de Arara", em vários clubes sociais e em emissoras de rádio na época, Nego Uróia contribuiu para popularizar o carimbó como música própria da cultura do povo paraense.


A Campanha em Curuçá

A tarde já havia chegado quando foram lançadas as propostas de organização e planejamento da campanha em Curuçá. Para isso foram criados grupos de trabalho (Carimbó & organização; carimbó & memória; carimbó & educação; carimbó & comunicação e carimbó & eventos), que se reuniram e em seguida apresentaram suas propostas para atuar na Campanha em Curuçá. Desses grupos, foi criada uma comissão geral, que já saiu do Encontro com reunião local marcada para o dia 8 de junho, em Curuçá.


Encerramento

O Encontro terminou com mais um cortejo cultural pelas ruas de Araquaim, para a derrubada do mastro de São Benedito. Após a queda do mastro, a sede Araquaim Esporte Clube foi animada por uma tradicional roda de carimbó, que uniu os curuçaenses em prol de um bem comum: a Campanha, a valorização do ritmo que há muito estava desvalorizado ou mesmo esquecido.








3 comentários:

comendadorpaulo disse...

Acredito que á louvável esta campanha para que se possa preservar a memória também de todos que contribuiram para que essa manisfestação cultural regional chegasse até nós. Por outro lado espero que a nível de Curuçá a memória de Nego Uróia possa ser respeita não só pelo que aspecto imaterial, mas quero me solidarizar com a campanha e dizer que a contribuição que este curuçaense, neto de escravos, deixou para curuçá fortalece aspectos de nossa ancestralidade africana, nos remetendo a valorização que se deve dar aos traços marcantes que esses nossos antepassados nos deixaram e uma delas é terem participação na formação rítica da dança do carimbó .

Sejam felizes.

Saudações Cordiais.

Comendador Paulo Henrique dos Santos Ferreira/Historiador do Municipio de Curuçá

comendadorpaulo disse...

Acredito que á louvável esta campanha para que se possa preservar a memória também de todos que contribuiram para que essa manisfestação cultural regional chegasse até nós. Por outro lado espero que a nível de Curuçá a memória de Nego Uróia possa ser respeita não só pelo que aspecto imaterial, mas quero me solidarizar com a campanha e dizer que a contribuição que este curuçaense, neto de escravos, deixou para curuçá fortalece aspectos de nossa ancestralidade africana, nos remetendo a valorização que se deve dar aos traços marcantes que esses nossos antepassados nos deixaram e uma delas é terem participação na formação rítica da dança do carimbó .

Sejam felizes.

Saudações Cordiais.

Comendador Paulo Henrique dos Santos Ferreira/Historiador do Municipio de Curuçá

comendadorpaulo disse...

Acredito que á louvável esta campanha para que se possa preservar a memória também de todos que contribuiram para que essa manisfestação cultural regional chegasse até nós. Por outro lado espero que a nível de Curuçá a memória de Nego Uróia possa ser respeita não só pelo que aspecto imaterial, mas quero me solidarizar com a campanha e dizer que a contribuição que este curuçaense, neto de escravos, deixou para curuçá fortalece aspectos de nossa ancestralidade africana, nos remetendo a valorização que se deve dar aos traços marcantes que esses nossos antepassados nos deixaram e uma delas é terem participação na formação rítmica da dança do carimbó .

Sejam felizes.

Saudações Cordiais.

Comendador Paulo Henrique dos Santos Ferreira/Historiador do Municipio de Curuçá